FILME SOBRE SÉRGIO VIEIRA DE MELLO NA LISTA PARA UM ÓSCAR

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LM - TVI - 20-11-2009

História é baseada na biografia «Chasing the Flame»

Os organizadores do Óscar anunciaram a lista dos 15 finalistas para a categoria de melhor documentário e o filme «Sérgio», sobre o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, faz parte da lista dos seleccionados.

Baseado na biografia «Chasing the Flame», da jornalista Samantha Power, produzido por John Battsed e Julie Goldman, e dirigido pelo norte-americano Greg Barker, o filme segue a extraordinária carreira do brasileiro, que durou 34 anos desde sua atuação nas zonas de conflito da África e sudeste da Ásia (em Timor Leste, como alto representante das Nações Unidas) até ao Médio Oriente, interrompida brutalmente após a explosão de um carro-bomba estacionado em frente ao hotel que servia de embaixada provisória da ONU no Iraque, em 2003.

«Para mim, Sérgio era um verdadeiro cidadão do mundo, que incorporava um idealista do qual hoje necessitamos desesperadamente», sublinhou Barker.

Confira os 15 documentários que vão concorrer às nomeações para o Óscar:

- «Sérgio»
- «Food, Inc.»
- «The Cove»
- «The Beaches of Agnes»
- «Burma VJ»
- «Every Little Step»
- «Facing Ali»
- «Garbage Dreams»
- «Living in Emergency: Stories of Doctors Without Borders»
- «The Most Dangerous Man in America: Daniel Ellsberg and The Pentagon Papers»
- «Mugabe and the White African»
- «Soundtrack for a Revolution»
- «Under Our Skin»
- «Valentino - The Last Emperor»
- «Which Way Home»
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VOCÊ NÃO GOSTA DE MIM, MAS SUA MÃE GOSTA...

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Por RUDOLFO MOTTA LIMA – Direto da Redação, opinião de leitor

Caetano Veloso pode ser - e seguramente é, no meu entendimento, – uma das maiores expressões da música deste país. De altíssima sensibilidade musical e raríssima inventiva vocabular, a inovação é a sua marca registrada, desde os tempos do iconoclata movimento tropicalista. Não se discute, pois, o valor do artista.

Não, é contudo, a primeira vez que, por ser artista de notoriedade, Caetano ganha espaço na mídia para fazer declarações estapafúrdias e inconsequentes. Longe daquele contestador que conhecemos nos anos 60/70 (é bem verdade que jamais com a firmeza e determinação de um Chico Buarque), o Caetano de hoje faz as delícias do conservadorismo. Quem duvidar, que leia essa coletânea do pensamento burguês acomodado e reacionário que é, no geral, a seção de Carta dos Leitores de “O Globo. Aliás, quem duvidar que leia o “Globo, em qualquer das suas seções, que dão um espetáculo amargo e perverso do que se faz com a chamada liberdade de imprensa em matéria de manipulação ideológica.

Qualquer um de nós pode ter, e deve ter, objeções – muitas ou poucas – à figura do presidente Lula. Eu mesmo, que tenho a idade do Caetano e que de alguma forma militei nos anos 60, coloco em alta discussão algumas medidas do Governo que, em nome da establidade econômica, sacrificaram princípios a meu ver intocáveis. Mas os termos por ele, Caetano, usados, fazendo coro à imbecilidade de uma elite pretensamente alfabetizada e culta mas de valores e princípios preconceituosos, não tem cabimento.

Esse tipo de pensamento é do mesmo campo ideológico que, em outras épocas, dinamitou os CIEPs de Brizola, o mesmo que acha um horror a bolsa-família e a alimentação dos famintos, o mesmo que demoniza o MST como instituição terrorista.

Caetano deveria, sim, mirar-se num espelho que lhe é contemporâneo, o de Chico Buarque de Holanda, que não se utiliza do aplauso fácil dos cooptados pelo poder nem destila o veneno reacionário do neoliberalismo e seu deus mercadológico.

Lula, queiram ou não os caetanos da vida, é personalidade mundial, de respeito planetário. Acho que – com todos os defeitos que carrega e as mazelas de que o PT não soube se livrar - o seu "analfabetismo" fez mais por esse país do que os letramentos da elite em seu 500 anos de poder. Eu e 80 % dos brasileiros, aliás...

Oswald de Andrade, tão caro a Caetano, já disse certa vez que, se o professor (eu sou professor) e os mulatos sabidos dizem “"Dá-me um cigarro", o bom negro e o bom branco da nação brasileira dizem todos os dias: “"Deixa disso, camarada, me dá um cigarro" Acho que Caetano não entendeu... Mas a Dona Canô entendeu...

E, se eu fosse o Lula, saía por aí cantarolando: “Você não gosta de mim, mas sua mãe gosta”...

*Rodolpho Motta Lima é professor de língua portuguesa no Rio de Janeiro. Seu email é rodolpho@centroin.com.br
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Filme - A VERDADE E O MEDO

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C. J. Nicholas (Jesse Metcalfe) é um jornalista de investigação que tenta a história da sua vida: assume-se como culpado de um homicídio que não cometeu de maneira a testar o sistema judicial e denunciar Mark Hunter (Michael Douglas), um procurador do Ministério Público que tem estado sobre a sua mira por suposta manipulação de provas.

O objectivo de C. J. Nicholas é expor os perigos e ambiguidades das provas circunstanciais mantendo sempre a condição imposta de "dúvida razoável", em que todo o indivíduo é inocente até prova de contrário.

Tudo parecia correr bem até que a única testemunha que o poderia exonerar é encontrada morta.

Realizado por Peter Hyams, um "remake" do clássico negro de Fritz Lang de 1956.

A Verdade e o Medo
Título original: Beyond a Reasonable Doubt
De: Peter Hyams
Com: Michael Douglas, Jesse Metcalfe, Amber Tamblyn
Género: Drama, Mistério
Classificacao: M/12
EUA, 2009, Cores, 105 min.

PÚBLICO – IPSÍLON – Cinecartaz
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Caetano Veloso - O ARTISTA E O HOMEM

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Por SÓNIA MONTENEGRO – Carta Maior, Espaço Livre

No meu entender, está-se dando a Caetano (pessoa) uma importância que ele não tem. Sua importância se resume à sua qualidade de compositor, que vem em decadência já há algum tempo.

Caetano (pessoa) é um narciso-oportunista.

Seu caráter ególatra não carece de maiores comentários. Todo mundo sabe que Caetano “se acha”, e chegou inclusive a afirmar que era mais importante do que o Chico Buarque, o Milton Nascimento e o Gilberto Gil, juntos. Haja pretensão!!!

O oportunismo pode ser facilmente visto porque, na época que compôs suas melhores obras, todo mundo era contra a ditadura, o que pareceu ser ideologicamente correto, tanto quanto inúmeros outros exemplos como Nelson Mota, Jô Soares, Carlos Vereza, etc.

Já de muito tempo para cá, Caetano vem usando a mesma tática do alcaide Cesar Maia: “falem mal, mas falem de mim”, visando exclusivamente espaço na mídia para não ser esquecido.

Segundo Paulo Henrique Amorim, “Antes de trabalhar na Globo, Caetano Veloso dizia que assistia ao jornal nacional não para saber o que aconteceu, mas para saber o que o jornal nacional queria que você pensasse que aconteceu”.

Em 4 de outubro de 2002, a colunista do jornal Folha de São Paulo, Mônica Bérgamo divulgou a nota: "Caetano Veloso sempre surpreendendo: declarou voto em Lula (PT-SP) no primeiro turno, e em José Serra (PSDB-SP) no segundo”. Como se pode ver, a coerência de Caetano é muito peculiar.

Não é uma questão de cobrar coerência acima de tudo. Como Raul Seixas, eu também prefiro ser uma “metamorfose ambulante”, mas como dizia o grande Paulo Freire: “Mudar sim, mas reconhecer a mudança. Preciso ser coerente com o direito que tenho de mudar”.

Mas o problema de Caetano com o governo Lula nesse exato momento, diz respeito a um interesse particular dele: a mudança da Lei Rouanet, e o veto do Ministro da Cultura ao patrocínio de sua turnê, alegando que, por ter grande bilheteria, não precisa de subvenção.

Com a recente morte do saudoso Augusto Boal, canais de TV reproduziram antigas entrevistas dele, e assisti uma da época da criação da Lei Rouanet, na qual ele a criticava, e estamos falando de um incontestável defensor das artes.

Boal explicava que as empresas escolhiam os espetáculos que iriam financiar, tendo portanto o interesse em escolher artistas de grande sucesso, quando seus anúncios teriam maior visibilidade, e posteriormente se ressarciam de seus gastos, no imposto de renda. Resumo da ópera: faziam propaganda custeada pelo dinheiro da população, em detrimento de grupos de cultura popular.

Acabo de receber um texto da jornalista Ana Helena Tavares que demonstra bem o que disse acima: “’O Globo’, além de ignorar mais um prêmio recebido por Lula, tratou de ir mais longe, dando chamada de capa e página interior inteira a Caetano Veloso que, em entrevista ao ‘Estadão’, ‘no sol de quase Dezembro’, resolveu destilar preconceito ao chamar Lula de ‘analfabeto’. Haja lenço para tanta amargura!”.

*Sonia Montenegro é analista de sistemas. Mora no Rio e seu email é soniaamontengero@gmail.com
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HOLLYOOD PENSA DUAS VEZES ANTES DE USAR GRANDES ESTRELAS

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Por LUÍS FILIPE RODRIGUES – Diário de Notícias – 15 Novembro 2009

Alguns dos filmes mais rentáveis do ano não tinham nomes sonantes no elenco, invertendo uma tendência que se verificou durante anos.

A presença de um nome sonante no cartaz promocional costumava contribuir para o sucesso de um filme. Hoje, contudo, são muitos os estúdios que começam a pensar duas vezes antes de apostarem apenas na contratação de caras conhecidas do grande público. Deve-se ao clima económico adverso, mas também ao facto de, nos últimos tempos, vários filmes terem tido sucesso nas bilheteiras, mesmo sem estrelas no elenco.

O sucesso de A Ressaca, de Todd Phillips, é ilustrativo desta tendência. Apesar dos actores não serem conhecidos do grande público, uma comédia com um modesto orçamento de 23,5 milhões de euros fez cerca de 310 milhões de euros nas bilheteiras internacionais, tornando-se num dos êxitos maiores de 2009. O sucesso deve-se em parte ao argumento, centrado em três amigos que acordam em Las Vegas, depois de uma festa de despedida de solteiro, apenas para descobrirem que o futuro noivo desapareceu e eles não se lembram de grande parte do que se passou na noite anterior.

E poder-se-iam apontar outros exemplos. Como Distrito 9, de Neill Blomkamp, que custou cerca de 20 milhões de euros e, até ao momento, já conseguiu cerca de 134 milhões de euros em bilheteira.

"Olhando para a listagem dos filmes mais lucrativos deste verão, é fácil de entender que não foram os grandes nomes que potenciaram o seu sucesso", concorda Peter Guber, o actual presidente da produtora Mandalay Entertain-ment e o antigo patrão da Sony Pictures. Enquanto estas fitas, com orçamentos relativamente baixos, ao encontro do actual contexto económico, têm sido bem recebidas pelos espectadores, filmes mais caros, onde entram actores famosos, não rendem sequer o suficiente para cobrir o orçamento.

Foi o que ocorreu com Imagine That, protagonizado por Eddie Murphy, cujas receitas não ultrapassaram os 10 milhões de euros, apesar de ter custado 37 milhões. Ou Funny People, de Judd Apatow, e com Adam Sandler. Também ainda não se estreou em Portugal mas até ao momento só fez 37 milhões de euros (apesar de ter um orçamento estimado em 50 milhões).

Brevemente vão estrear-se em Portugal dois filmes que são representativos deste fenómeno. Um Conto de Natal, rodado por Robert Zemeckis e protagonizado por Jim Carrey, abriu muito abaixo das expectativas nos EUA, apesar de um orçamento estimado entre os 117 milhões e os 134 milhões de euros. Por outro lado, Lua Nova, o segundo capítulo da série Crepúsculo, deverá ser um dos maiores sucessos do Natal, apesar do orçamento não ser elevado. E mesmo que os protagonistas, Robert Pattinson e Kristen Stewart, comecem agora a dar que falar, foi graças à prequela que eles se tornaram conhecidos.
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NO ESTORIL, COMPOSITOR FRANCÊS FALA SOBRE FILME DE POLANSKI

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Lisboa, 12 nov (Lusa) - Em 2010 estreiam três filmes com trilha sonora do compositor francês Alexandre Desplat, entre eles "The Ghost", produção de Roman Polanski que o músico classificou de "experiência proibida", por causa da polêmica detenção do cineasta na Suíça.

Desplat está pela primeira vez em Portugal, a convite do Estoril Film Festival, e, em entrevista à Agência Lusa, falou de um de seus projetos em curso: a participação, pela primeira vez, em um filme de Polanski.

"Quando ele liga para você, você não hesita e mergulha de cabeça. Estou muito contente por estar nesta experiência proibida. Estou muito triste, magoado e chocado com o que está lhe acontecendo", lamentou o compositor.

Polanski conclui o filme na Suíça, onde está detido desde setembro, devido a um caso pendente há mais de 30 anos nos Estados Unidos referente a acusações de pedofilia.

Apesar de estar detido, o diretor está finalizando o filme, que deverá estrear na Europa em 2010, e convidou o músico francês para compor a trilha sonora da produção.

Desplat foi uma das várias personalidades que assinaram uma petição internacional que exige a libertação do cineasta polonês.

"É um ultraje, uma loucura e espero que ele saia disto rapidamente, porque não merece", afirmou.

"The Ghost", baseado em um romance de Robert Harris, é um suspense que conta a história de um escritor (Ewan McGregor) contratado para escrever as memórias de um ex-primeiro-ministro britânico (Pierce Brosnan) e que acabará por desvendar segredos que colocarão em risco a vida do político.

O compositor elogiou o trabalho meticuloso e de precisão de Polanski, assim como a forma como prepara o espectador para uma cena impactante.

"Ainda estou a aprender com a forma como ele usa a música; ele tem uma maneira muito específica de antecipar as emoções antes de uma cena acontecer. Ele gosta de preparar o público para o que vai acontecer", ressaltou.

Outros projetos

Além de "The Ghost", o francês trabalha nos próximos filmes de Jérôme Salle ("Largo Winch 2") e de Terrence Malick ("The Tree of Life").

Aos 48 anos, Desplat é um dos mais requisitados compositores para cinema, tendo assinado, nos últimos anos, a trilha de filmes como "Moça com Brinco de Pérola", "A Bússola de Ouro", "Coco antes de Chanel" e "Julie & Julia".

O músico foi indicado ao Oscar com "O Curioso Caso de Benjamin Button", de David Fincher, e "A Rainha", de Stephen Frears, e foi considerado o melhor compositor de 2007 nos World Soundtrack Awards.

No Estoril Film Festival foram selecionados dois filmes que levam sua trilha sonora: "O Fantástico Sr. Raposo", de Wes Anderson, e "Un prophète", de Jacques Audiard.

Este mês chega aos cinemas "Lua Nova", da saga inspirada na obra de Stephenie Meyer, e cuja trilha sonora também foi elaborada pelo músico.

Textos anteriores
David Cronenberg adapta ao cinema peça sobre Freud e Jung
Coppola acredita que futuro do cinema está na customização
No Estoril, Coppola revela detalhes de seu último projeto
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"This Is It" ultrapassa US$ 200 milhões em bilheteiras do mundo

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Reuters - quinta-feira, 12 de novembro de 2009 18:13 BRST

LOS ANGELES (Reuters) - "This Is It", filme que mostra os últimos ensaios da carreira de Michael Jackson, superou os 200 milhões de dólares nas bilheterias do mundo duas semanas depois da estreia, disse o estúdio responsável pelo lançamento na quinta-feira.

A Sony Pictures Entertainment disse que o filme faturou 61 milhões de dólares na América do Norte, e mais de 140 milhões em outros mercados. Japão (27,2 milhões de dólares) e Grã-Bretanha (41,3 milhões) foram particularmente expressivos.

"This Is It" aparece agora como o 22o. filme mais rentável do ano, segundo o site especializado boxofficemojo.com.

A Sony pagou cerca de 60 milhões de dólares à empresa de espetáculos AEG e ao espólio de Jackson pelos direitos das gravações, que registravam os ensaios para uma turnê que ele faria em Londres neste ano, mas foi inviabilizada pela repentina morte do cantor, em junho.

A bilheteria superior a 200 milhões de dólares é quase o triplo de "Hannah Montana/Miley Cyrus: Best of Both Worlds Concert Tour" (2008), um outro filme-show que era usado por alguns observadores como parâmetro para "This Is It".

O filme sobre Jackson foi lançado em 28 de outubro e deveria ficar em cartaz por apenas duas semanas. A temporada, porém, já foi prorrogada até o começo de dezembro.

(Reportagem de Jill Serjeant)

Michael Jackson 'This Is It' Official Movie Trailer

Michael Jackson Final Rehearsal "This Is It" Tour
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Prêmio Portugal Telecom de Literatura vai para o brasileiro Nuno Ramos

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Portugal Digital – 11 Novembro 2009

Vencedor, escolhido de uma lista de dez finalistas, ganha R$ 100 mil. Anúncio foi feito esta terça-feira em São Paulo.

São Paulo - A edição 2009 do Prêmio Portugal Telecom de Literatura teve como primeiro classificado o escritor brasileiro Nuno Ramos, autor do livro de narrativas poéticas Ó. A cerimônia de entrega decorreu terça-feira à noite em São Paulo e marcou o culminar de um processo de seleção que levou mais de sete meses, partindo de 501 títulos inscritos.

O segundo classificado foi João Gilberto Noll, com "Acenos e Afagos". Em terceiro lugar ficou Lourenço Mutarelli, por "A Arte de Produzir Efeitos Sem Causa".

Oito romances, um livro de contos e um de poesia concorriam aos prêmios. O Prêmio concede R$ 100 mil ao primeiro colocado, R$ 35 mil ao segundo e R$ 15 mil ao terceiro.

Da lista de finalistas anunciada a 16 de setembro no Consulado de Portugal em São Paulo faziam parte dez autores, vários deles com nome consolidado no panorama literário da lusofonia. Foram classificados livros dos escritores brasileiros João Gilberto Noll, Nuno Ramos, Lourenço Mutarelli, Eucanaã Ferraz, Silviano Santiago e Maria Esther Maciel e dos escritores portugueses António Lobo Antunes, Gonçalo M. Tavares, José Luis Peixoto e Inês Pedrosa.

Alguns destes autores já tinham chegado antes à etapa final desta premiação literária. Casos de Lobo Antunes, segundo classificado no ano passado, com "Eu Hei de Amar uma Pedra", Silviano Santiago, segundo lugar em 2005 com "O Falso Mentiroso" ou Gonçalo M. Tavares, vencedor da edição de 2004, com "Jerusalém".

As 10 obras finalistas foram selecionadas por onze jurados e quatro curadores que, em votação individual, também elegeram o júri final.

Escritor e artista

Narrativas entre a poesia e o pensamento, na definição do próprio autor, Ó reflete a inquietação de Nuno Ramos, 48 anos, nascido em São Paulo, escritor e artista plástico. Dele, os leitores podem também conhecer Cujo e O pão do corvo.

De acordo com a crítica literária, os contos de Ó não seguem modelos padrões. Em entrevista a Rogério Pereira e Vitor Mann, publicada no jornal literário Rascunho, Nuno Ramos diz que Ó não é um livro de contos.

"Penso nele como um misto de poesia com ensaios amalucados, entremeados por cantos, elegias, que aparecem em itálico. O que me guiou de início foi uma voz que pensa as coisas e as comenta, à Emerson ou à Montaigne. Claro que outras vozes foram surgindo, às vezes narrativas inteiras, com personagens e tudo, mas tenho a impressão de que a voz dominante quer falar das coisas, do mundo, quer tratar dos assuntos mais diversos. Se eu pudesse escolher, diria que o Ó está em algum lugar entre a poesia e o pensamento".

E sobre o estado das artes plásticas? "O problema insolúvel da arte, e sua verdadeira morte, chama-se arte ruim, fenômeno difícil de definir e presente à larga em feiras de arte ou megaexposições, como a Bienal de Veneza ou de São Paulo. Mas não é com críticas genéricas ao contemporâneo que a gente vai se livrar dela. Há, claro, arte ruim (e muita) na produção contemporânea, mas como em qualquer outra época - apenas o tempo não fez ainda a sua seleção", diz o artista na mesma entrevista.
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EUNICE MUÑOZ EM MONÓLOGO NO D. MARIA II

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ANA VITÓRIA – Jornal de Notícias – 11 Novembro 2009

O monólogo "O ano do pensamento mágico" marca, amanhã, quinta-feira, o regresso de Eunice Muñoz ao palco do Teatro Nacional D. Maria II de onde estava afastada desde há nove anos. A peça inspira-se numa história verídica.

"O ano do pensamento mágico", de Joan Didion, conhecida escritora e argumentista norte-americana, inspira-se na experiência pessoal da dramaturga e surge no palco do TNDMII numa encenação de Diogo Infante.

A estreia está marcada para as 21.30 horas de amanhã.

Para o encenador e director artísticop do TNDMII, a peça "é um testemunho de vida, de amor e uma daquelas histórias que se contam à volta da lareira, mas é também uma viagem em que o barqueiro encapuzado nos conduzirá ao outro lado do rio, com a certeza de que desta vez nos trará de volta".

Na versão cénica deste monólogo, Joan Didion reduz ao essencial a teatralização de acontecimentos verídicos da sua vida. Tudo aconteceu na noite de 30 de Dezembro de 2003. A autora e o seu marido, John, entram em casa depois de visitar a filha, Quintana, internada com uma infecção generalizada. O casal senta-se para jantar e eis quando, no silêncio que se instala, John morre de ataque cardíaco.

Para Diogo Infante, "esta história mostra a profundidade que só as grandes relações têm e reflecte sobre a doença e a morte, sobre a probabilidade e o acaso, sobre a saudade e o amor".

Na versão cénica de "O ano do pensamento mágico", monólogo que pela primeira vez foi levado à cena por Vanessa Redgrave, Joan Didion reduz ao essencial a teatralização de acontecimentos verídicos da sua vida.

"Didion escolheu escrever para perceber, para dar sentido, para resolver o que lhe acontecera, aquilo por que passara. Pela minha parte, sinto que também me resolvo no texto, no confronto com as minhas perdas, as minhas dores e as minhas memórias", explica o encenador que considera este "um espectáculo à medida de Eunice".
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Ôrí: CABEÇA, CONSCIÊNCIA NEGRA

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Casa das Áfricas – 10 Novembro 2009

Produzido ao longo de onze anos entre o Brasil e a África Ocidental – Senegal, Mali e Costa do Marfim –, o filme da socióloga e cineasta Raquel Gerber traça um panorama dos movimentos negros nacionais a partir dos anos 70.

O fio condutor é a trajetória da ativista e historiadora Beatriz Nascimento, que busca sua identidade através da pesquisa da história dos quilombos. Identificando-os como estabelecimentos guerreiros e de resistência cultural, da África do século XV ao Brasil do século XX, permite-nos acompanhar as transformações desenvolvidas pelas culturas negras transplantadas à força para o país no contexto de mais de dois séculos de escravidão e de uma abolição sem retaguardas para os novos cidadãos.
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Francis Ford Coppola e "Tetro": “TUDO NESTE FILME É UM RISCO”

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Por Jorge Mourinha - Público - 08 Novembro 2009 - Fotografia de Nuno Ferreira Santos

Realizador está em Portugal no Estoril Film Festival

“Tudo neste filme é um risco! Um filme pessoal, de autor, rodado a preto e branco, falado parcialmente em espanhol e, pior, em espanhol argentino... Não conseguiria arranjar pior maneira de ganhar dinheiro!” Mas quem diz que Francis Ford Coppola quer ganhar dinheiro com o seu novo filme, "Tetro"?

À pequena multidão de jornalistas e fotógrafos que o recebe na “sala de encontros” do Centro de Congressos do Estoril, ao princípio da tarde de hoje, o cineasta americano diz que “nenhum dos meus filmes preferidos ganhou dinheiro à altura da estreia”, e evoca alguns dos seus filmes mais conhecidos e aclamados como "O Vigilante" (1974) e "Rumble Fish – Juventude Inquieta" (1983). E mesmo "Apocalypse Now" (1979) foi perseguido durante anos pela aura de filme maldito.

A verdade é que Francis Ford Coppola, 70 anos completados em Abril, em Portugal para apresentar no Estoril Film Festival "Tetro", história de uma família separada por um segredo dilacerante, não é exactamente o mesmo que fez os três Padrinhos (1972/74/90) ou "Drácula de Bram Stoker" (1992). Este Coppola virou costas a uma Hollywood enterrada numa modorra criativa “que o 3D não vai salvar”, esteve dez anos sem rodar e apenas voltou ao cinema (em 2007, com "Uma Segunda Juventude") nos seus próprios termos. E diz a quem o quiser ouvir que se sente de novo “cheio de ideias”, como um estudante de cinema que experimenta e explora, “sempre a aprender”. Em absoluta liberdade criativa, permitida pela sua distância física de Los Angeles (mora, como sempre, em São Francisco) e pelo sucesso que obteve entretanto - e “por acaso”, como diz - como produtor de vinhos (a sua Coppola Winery engarrafa anualmente para cima de um milhão de litros).

Mas as pessoas têm como referência o “outro” Coppola, que filmou em Hollywood porque “precisava de alimentar a família” e assim se desviou do caminho dos tais “filmes pessoais” que sempre quis fazer (e que agora, finalmente pode fazer). No Estoril, uma das duas dezenas de fotógrafos que aguardam a chegada do realizador, tira da mochila a caixa de DVD com a versão restaurada de "O Padrinho" para autografar. E "Tetro" é um dos momentos fortes da programação do festival dirigido por Paulo Branco: a sessão oficial marcada para a hoje à noite, seguida de um momento de perguntas e respostas com o público, esgotou num ápice, forçando à marcação de uma segunda exibição à meia-noite que esgotou tão depressa quanto a primeira – muito embora o filme chegue já às salas portuguesas no próximo dia 19.

Somos procurados pelas pessoas erradas pelas razões erradas"

É Coppola, o cineasta no activo, ou Coppola, o cineasta lendário, que esgota as sessões? Ele confessa, já no final dos vinte minutos que a sua agenda concedeu ao PÚBLICO, que o apelido se tornou num “amigo da onça”, porque “entramos na sala não como a pessoa que somos mas como um fenómeno, e somos procurados pelas pessoas erradas pelas razões erradas”.

Mas é nítido que quem está na conferência de imprensa – tal como quem esteve, de manhã, no Hotel Albatroz, em Cascais, para uma ronda de entrevistas controlada metronomicamente – sabe que aquilo que o cineasta está agora a fazer não está assim tão longe da sua obra anterior. "Tetro", onde um jovem (o estreante Alden Ehrenreich) reencontra o irmão mais velho (o actor e realizador Vincent Gallo, “de quem me diziam horrores mas que foi um encanto, um tipo inteligente com boas ideias”) que cortou relações com a família, é o primeiro guião original escrito sozinho pelo cineasta em quase trinta anos, invocando dramaturgos como Tennessee Williams ou Clifford Odets, importantes na sua aprendizagem artística. E Coppola admite aos jornalistas reunidos que é um filme muito pessoal – “só nos temos a nós próprios e às nossas memórias, por isso é inevitável que todos os filmes que escrevi sejam pessoais. Aqui, há de facto uma família muito semelhante à minha, e é certamente o mais próximo que já cheguei de falar sobre a minha família. Mas não é um filme autobiográfico.”

Sublinha-o falando dos três filhos, Sofia, Roman e Gia, para quem transferiu a propriedade da sua produtora American Zoetrope, como um exemplo de irmãos que se entreajudam e não rivalizam. E diz que ele próprio quer aprender com Sofia, que já realizou três filmes ("As Virgens Suicidas", "Lost in Translation" e "Marie Antoinette") - “tenho muita tendência a entusiasmar-me com as coisas, a fazer tudo do fundo do coração, e o meu problema é que acabo sempre por fazer demais! A Sofia, pelo contrário, é muito minimalista, usa uma linha de diálogo quando eu preciso de cinco. Estou a tentar aprender com ela e ser mais minimalista!”

Uma coisa em que Coppola não vai “seguir” a filha, contudo, é no recurso à película, que Sofia insiste em usar “enquanto ainda pode”: "Tetro" foi rodado com câmaras digitais de alta definição. “Gostamos todos muito da película porque foi com ela que crescemos e aprendemos, e conseguem-se imagens belíssimas, mas ao nível dos processos fotoquímicos já não podemos ir mais longe. A imagem digital começa já a ultrapassar película e a imagem do e um projector digital já é melhor que a da própria câmara.” Esse recurso à tecnologia avançada contrasta com a utilização do preto e branco - “uma das mais belas imagens que existem, mas que tem desaparecido devido às exigências da televisão” - e com o facto de Coppola considerar Tetro “tecnicamente um dos melhores" que já rodou. "Tudo resultou na perfeição em termos artísticos, logísticos, de produção.”

E, antes de dar por encerrada a conferência de imprensa com um remate para Paulo Branco, distribuidor português de "Tetro" (“este senhor é que manda e disse que esta era a última pergunta”), expressa um desejo. “Tenho uma fé total no futuro do cinema e espero poder viver tempo suficiente para ver todos os grandes progressos que ainda aí vêm. Mas não são o 3D nem os grandes efeitos especiais!”.
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O LIVRO DE JUANITA CASTRO

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Por ANTONIO TOZZI – Direto da Redação

Miami (EUA) - A autobiografia de Juanita Castro, irmã mais nova dos governantes cubanos Fidel e Raul Castro, vem causando maior rebuliço em Miami. A autora escreveu o livro “Meus Irmãos Raul e Fidel, A História Secreta”, uma autobiografia na qual conta sua saga como imigrante cubana nos Estados Unidos e, mais do que isto, como agente da CIA (agência de espionagem americana), onde atuou com o codinome de “Donna”.

Como não poderia deixar de ser, as opiniões sobre o livro se dividem apaixonadamente. Os cubanos que vivem na Flórida estão exultantes porque em suas revelações ela denunciou as matanças promovidas por Fidel assim que assumiu o poder. Quem ficou bem na fita foi Raul, que a aconselhou a fugir de Cuba, porque Fidel estaria bastante irritado com o fato de ela estar protegendo algumas pessoas que ele gostaria de fuzilar.

Juanita admitiu ter apoiado a revolução cubana porque também detestava a ditadura de Fulgêncio Batista. No entanto, segundo a autora, ela logo se decepcionou com a inclinação ditatorial de Fidel. “Ele apenas queria tomar o poder sem se preocupar em manter a democracia na ilha. Isto me deixou muito decepcionada e fui para os Estados Unidos em 1961”, confessou a autora.

Aliás, ficou bem claro em suas revelações que Fidel sempre foi uma pessoa ególatra e desprovida de ideologia. Raul, por sua vez, sempre foi comunista e um sujeito mais determinado em suas convicções. Ou seja, Fidel é mais carismático, mas Raul é mais ideólogo, segundo os analistas.

Os exilados cubanos em Miami exaltaram a coragem de Juanita, sobretudo ao confessar ter sido agente da CIA. Ela enfrentou o poder vigente, se afastou de seus familiares – Juanita nunca mais encontrou pessoalmente seus irmãos Fidel e Raul – e construiu uma vida à parte e agora, uma anciã, decidiu revelar o que vinha sendo guardado há muito tempo. Juanita desmentiu diversos boatos divulgados após o lançamento do livro, entre eles, um que dava conta de que Fidel havia sequestrado um filho dela. “Como nunca fui mãe, isto seria impossível”, admitiu.

Ela admite torcer para que EUA e Cuba voltem a se reaproximar e acredita que o presidente Barack Obama está disposto a fazer a sua parte. Duvida, porém, que isto venha a ocorrer enquanto seus irmãos estiverem no poder, “porque eles não têm intenção de tornar a ilha caribenha num país democrático”.

Logicamente, o livro foi bastante criticado em Cuba. A revista La Jiribilla, editada pelo Ministério da Cultura de Cuba, chamou o livro de “uma operação de mau gosto, imoral, sensacionalista e manipulada pela indústria anticastrista de Miami”. E acrescentou que, se de fato foi verdade que Juanita trabalhou para a CIA, “ela foi apenas mais uma entre milhares de cubanos que por dinheiro, ódio, vingança e intolerância serviram como peões da politica norte-americana contra Cuba”.

Além do livro, Juanita Castro está participando de uma série de reportagens especiais comandada pela jornalista Maria Antonieta Collins, que ajudou a redigir o livro da irmã mais nova dos governantes cubanos. As entrevistas estão sendo transmitidas pela rede de TV hispânica Univision – que atende os hispânicos que vivem nos EUA - e alcançando alto nível de audiência.

Juanita quer se transformar na Isabel Allende cubana. A filha de Salvador Allende também se tornou escritora e narrou fatos pouco conhecidos do público sobre a derrubada e a morte de seu pai, que abriu caminho para a instauração de uma ditadura militar sangrenta no Chile.
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Num aspecto, Cuba e Chile se assemelharam. Ambos se tornaram ditaduras cruéis, apenas que com sinais trocados – uma de direita e outra de esquerda. A outra diferença é que o Chile já se democratizou e Cuba ainda não. Pior ainda, os cubanos não sabem quando – e se – isto ocorrerá.
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Cinema - Ator e diretor Anselmo Duarte é enterrado em Salto, interior de São Paulo

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Último Segundo – 08 Novembro 2009

O corpo do ator e cineasta Anselmo Duarte foi enterrado por volta das 12h30 deste domingo no Cemitério Municipal de Salto, cidade no interior paulista em que ele nasceu. Duarte morreu na madrugada do último sábado, em São Paulo, após sofrer o terceiro acidente vascular cerebral, aos 89 anos.

Natural de Salto, no interior de São Paulo, Anselmo ganhou a Palma de Ouro em Cannes por "O Pagador de Promessas" (1962), estrelado por Leonardo Villar e Glória Menezes, único filme brasileiro a ganhar o principal prêmio do festival francês, um dos mais prestigiados do mundo. A produção também concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Um dos maiores galãs do cinema nacional, Anselmo começou sua carreira como ator ao se mudar para o Rio de Janeiro, nos anos 40. Atuou em várias produções da Atlântida, como "Carnaval no Fogo", uma comédia musical sobre um plano de assalto ao Copacabana Palace, em que contracenava com Oscarito e Grande Otelo, além de assinar o argumento do filme.

Ele fez também "Aviso aos Navegantes", sobre uma companhia teatral excursionando em navio luxuoso, quando atuou com a mesma dupla no filme com o mesmo diretor: Watson Macedo, com quem Anselmo Duarte aprendeu a dirigir e escreveu roteiros e argumentos. O cineasta fez carreira também na Vera Cruz paulista, contracenando com Tônia Carreiro em "Tico-Tico no Fubá". Anselmo Duarte fez ainda uma comédia de sucesso em 1957 com Dercy Gonçalves, "Absolutamente Certo" e atuou em "Apassionata e Veneno", entre outras obras.

Depois da consagração internacional de "O Pagador de Promessas", Anselmo Duarte fez ainda um outro filme, "Vereda de Salvação" (1964), baseado em peça de Jorge de Andrade, com o qual foi indicado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim, mas que não obteve reconhecimento tão grande quanto sua obra-prima vencedora em Cannes.

O cineasta também dirigiu longas como "Absolutamente Certo" (1957), "Um Certo Capitão Rodrigo" (1971) e "O Crime do Zé Bigorna" (1977), entre muitos outros. Como ator e roteirista, participou de mais de 40 filmes. Recentemente, o diretor foi agraciado com a Ordem do Ipiranga, mais importante honraria concedida pelo governo de São Paulo.

Leia abaixo a nota oficial do falecimento do ator e cineasta assinada pelo seu filho, Ricardo Duarte, presidente do Instituto Anselmo Duarte:

"É com grande consternação que comunicamos o falecimento do presidente honorário deste instituto, o cineasta anselmo duarte, ocorrido na madrugada deste sábado, 7 de novembro de 2009, às 01h30.

Anselmo Duarte encontrava-se internado na unidade de terapia intensiva do centro neurológico do hospital das clínicas, em São Paulo, onde fora internado há 11 dias após ser acometido por um acidente vascular cerebral (avc)

De acordo com o atestado de óbito emitido pelo Hospital das Clínicas, a causa mortis de Anselmo foi "disfunção de múltiplos órgãos e choque séptico como consequencia de uma broncopneumonia".

O desaparecimento de Anselmo Duarte enseja a todos nós, brasileiros, uma reflexão sobre a sua longa vida durante a qual nos brindou com uma exemplar trajetória de sucesso em sua carreira cinematográfica como ator, roteirista, cenógrafo, produtor e diretor.

O corpo de Anselmo Duarte será exposto para as últimas homenagens da população paulistana no saguão principal da assembléia legislativa de São Paulo neste sábado, a partir das 17hs.

O sepultamento de Anselmo Duarte será realizado no Cemitério Municipal de Salto, no Estado de São Paulo, sua cidade natal, amanhã, domingo, às 11h30.

Este instituto deseja expressar seus melhores agradecimentos ao excelentíssimo senhor João Saad, secretário estadual da cultura, pelas providências administrativas de última hora para viabilizar as homenagens públicas ao nosso querido Anselmo.

São Paulo, 7 de novembro de 2009

Ricardo Duarte

Presidente do Instituto Anselmo Duarte"

(Com Futura Press e Agência Estado)

Veja imagens da vida de Anselmo Duarte

Leia a biografia do cineasta Anselmo Duarte

Leia mais sobre: Anselmo Duarte
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BirdWatchers - A TERRA DOS HOMENS VERMELHOS

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Best Cine

Co-produção entre o Brasil e a Itália que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2008, “Terra Vermelha”, de Marco Bechis, é um drama ficcional que tem muito de documental, ao retratar os dilemas dos índios guarani-kaiowás do Mato Grosso do Sul em sua luta por território.

Sinopse:

O filme “Terra Vermelha” conta-nos uma história baseada em factos verídicos, onde um grupo de índios que não têm outra perspectiva na vida senão trabalhar para os fazendeiros, em condições de escravidão, e a ganhar alguns trocados a posar para fotos com turistas, decidem deixar sua reserva e acampar diante de uma fazenda para reivindicar a devolução das suas terras ancestrais.

Mato Grosso do Sul, Brasil, hoje. Os fazendeiros têm uma vida rica e cheia de diversão. Possuem plantações transgénicas que se perdem de vista e passam os serões com os turistas vindos para ver os pássaros - Birdwatchers.

Contudo, nos limites das suas propriedades cresce o descontentamento por parte dos Índios, antigos proprietários legítimos das terras. O suicídio de mais um jovem da reserva catalisa o conflito entre estes dois mundos opostos. No entanto, reside a “curiosidade do outro”. Uma curiosidade que aproximará o jovem aprendiz de xamã, Osvaldo, e a filha de um fazendeiro.

Realizador: Marco Bechis

Intérpretes: Taiane Arce, Alicélia Batista Cabreira, Chiara Caselli, César Chedid, Temily Comar, Nelson Concianza, Eliane Juca da Silva, Fabiane Pereira da Silva, Luciane da Silva, Camila Caetano Ferreira, Inéia Arce Gonçalves, Leonardo Medeiros, Matheus Nachtergaele, Urbano Palácio

Estreia Mundial: 2008 - Estreia em Portugal: não prevista - Mais Info: IMDB - Disponível em DVD: SIM

Site Oficial: clique aqui - Ver trailer aqui

Criado por bestcine
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Estoril Film Festival - Renaldo & Clara: e Bob Dylan saiu-se bem

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Dylan explora o jogo das aparências e chega a pintar a cara de branco para evocar um fantasma - DR

Luís Miguel Oliveira – Público - Ipsilon

O mítico filme realizado por Bob Dylan durante a sua digressão de 1975 passa no domingo no Estoril Film Festival, que hoje começa. Arrasado na altura da estreia, desapareceu de circulação. A lenda foi crescendo. Crónica de uma digressão, ensaio labiríntico sobre a aura e a identidade (e os amores) do cantor. Saiu-se bem.

O Bob Dylan é o tipo com um chapéu", diz Bob Dylan, de cabeça descoberta, a uma senhora que lhe pergunta "onde está Bob Dylan". É uma cena de "Renaldo & Clara", realizado pelo próprio Dylan, ficção construída por entre os buracos de um documento (documento construído por entre os buracos de uma ficção), encontro entre o filme-concerto e uma espécie de teatro absurdista.

Quando estreou, em 1978, pouca gente percebeu o que raio se passava em "Renaldo & Clara", e o filme ficou com a péssima fama de ser um exercício auto-indulgente, uma manifestação do narcisismo de Dylan envolto em nonsense e incoerência. Poucas vezes voltou a ser visto ou discutido. Mas tem os seus fãs. O crítico de cinema francês Louis Skorecki, um dos maiores dylanianos em circulação, escrevia há algum tempo no seu blogue (quase integralmente dedicado a Bob Dylan) que "Renaldo & Clara" vale "todo o Visconti, todo o Pialat, todo o Huston, todo o Cassavetes, todo o Peckinpah, todo o De Palma, todo o John Woo"... Se exagera, ou se isto diz mais sobre os desamores de Skorecki do que sobre o seu amor por "Renaldo & Clara" (e é verdade que diz), só ele pode esclarecer.

Sejamos menos bombásticos e mais modestos no tiro ao alvo: "Renaldo & Clara" vale, seguramente, todo o "I'm Not There" com que há dois anos Todd Haynes ensaiou uma aproximação ao labirinto dylaniano. "Renaldo & Clara" é Dylan a dizer, com todos os dentes e um grande sorriso, que "não está aqui". Procurem o tipo com o chapéu.

A digressão

Um pouco da genealogia por detrás de "Renaldo & Clara". Fora aparições esporádicas aqui e ali, Bob Dylan esteve oito anos sem fazer uma digressão a sério, entre o famoso acidente de motorizada em 1966 e a série de concertos com os The Band (ou com A Banda, se preferirem), em 1974. Enquanto viajava e tocava com os seus amigos da Banda, pensava e preparava já um "come-back" em nome próprio, mas rodeado de convidados e amigos, mulheres e ex-mulheres. Chamou a essa digressão a Rolling Thunder Revue, Dylan & amigos(Joan Baez, Bob Neuwirth, Roger McGuinn, etc.) numa caravana itinerante que percorreu os Estados Unidos e o Canadá entre o final de 1975 e o princípio de 1976. O bootleg oficial desta digressão foi editado há poucos anos, na chamada Bootleg Series. Quis também fazer um filme, um filme-concerto que não fosse bem, ou não fosse só, um filme-concerto. Escreveu um argumento, com colaboração de Sam Shepard (que também aparece no filme). E durante a digressão foi rodando esse argumento, basicamente uma série de cenas soltas, aparentemente desconexas e ligadas umas às outras mais por motes simbólicos (as rosas, por exemplo) do que por qualquer evidente continuidade narrativa. Pelo meio, planos filmados durante as actuações, que incluem versões (por norma óptimas) de várias de entre as suas mais conhecidas canções.

As mulheres de Dylan

O mundo dos espectadores de "Renaldo & Clara" divide-se em três campos. Os que juram que tudo faz sentido, as articulações entre as cenas e as articulações entre as cenas e as canções (assim convertidas numa espécie de coro), tudo foi escrito e tudo obedece a um plano que não deixou margem para qualquer improvisação. Os que juram que nada faz sentido, que é tudo aleatório e não tem, no fundo, importância alguma, como se fosse uma grande partida que Dylan fez ao exegeta que há dentro de cada fã dylaniano (assim como quem diz "vai e dá-lhes trabalho"). E o terceiro campo, os que se estão nas tintas para o "pequeno teatro" ou para o "pequeno cinema" de Dylan, não perdem um segundo a tentar descodificar os jogos de espelhos entre o filme e a sua vida real (Dylan interpreta Renaldo, e Sara, então a sua mulher, é Clara), se marimbam para os duplos e para as espirais, e aceitam essas cenas como meros intróitos enquanto esperam por um novo momento com uma canção ao vivo.

Digamos assim: o filme dá, de facto, algum trabalho (porventura ingrato), se for visto com a preocupação de identificar e descodificar os simbolismos. Mas dá, sobretudo, prazer, se for visto pelo seu "valor facial", pela ironia que se desprende das conversas e das situações, pela evidência do espectáculo que é Bob Dylan a jogar ao gato e ao rato consigo próprio, com as suas mulheres (Joan Baez foi namorada dele na primeira metade dos anos 60) e, seguramente, com os seus espectadores. E, nessa perspectiva, não é um objecto assim tão estranho, para quem tenha uma ideia do que eram as leituras de Dylan (e também do que sempre foram as suas letras e a sua poesia), dos meios em que ele circulou no tempo em que andava a visitar Edie Sedgwick ou a oferecer canções a Nico: parece evidente que o modelo de cinema de Dylan, até na maneira de explorar a ironia narcisista e o jogo das aparências e das ausências (aquela maquilhagem branca a sublinhar a "performance", a reforçar o "fantasma") vem muito mais das tradições do underground nova-iorquino do que propriamente de Hollywood... E é um belo filme.

"Renaldo & Clara", de Bob Dylan - Casino do Estoril, domingo, 8, às 15h.

Links Relacionados
Rally-paper pelo Estoril Film Festival
Vídeo: "Renaldo & Clara" de Bob Dylan
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CAPITALISMO E MODERNIDADE NO BRASIL

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William Vella Nozaki (*) – Carta Maior

Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro "Capitalismo tardio e sociabilidade moderna", de João Manuel Cardoso e Fernando Novais, destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. A resenha é de William Vella Nozaki.

Resenha do livro: MELLO, João Manuel Cardoso de & NOVAIS, Fernando. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna. Unesp/Facamp: Campinas, 2009.

O Brasil ontem e hoje

O que se tornou o capitalismo brasileiro? Essa questão elementar não cessa de ser formulada. Muitos a perguntam na discrição das reflexões solitárias ou na distração das conversas informais; alguns a respondem de forma excessivamente retórica ou de maneira demasiadamente abstrata.
Tratada de maneira indireta e oblíqua essa indagação soa mais como demonstração de estilo do que como manifestação de perplexidade. Talvez isso ocorra porque de tão natural, direta e ingênua, tal questão só possa mesmo ser feita por um pensamento maduro, cansado de tergiversar e pronto para a hora de falar concretamente. É precisamente esse o exercício proposto em Capitalismo tardio e sociabilidade moderna.

O texto foi escrito no bojo dos ataques contra o neoliberalismo e veio a lume pela primeira vez como parte da coleção História da Vida Privada no Brasil, em 1998. Trata-se de obra com espírito crítico e com ímpeto de balanço, que, publicada agora como livro, não deixa de revelar sua atualidade.

Esse pequeno ensaio sobre a modernidade brasileira reúne o método crítico de um historiador reconhecido por sua habilidade em clarificar a nossa herança mercantil e a perspectiva analítica de um economista conhecido por sua destreza em esclarecer o nosso fado industrial. Ao atarem essas duas pontas, Fernando Novais e João Manuel Cardoso de Mello, produzem um curto-circuito revelando como a industrialização brasileira criou e foi tragada por uma sociedade mercantil nos trópicos.

A interpretação dos dois autores aborda meia dúzia de décadas fundamentais para a compreensão do Brasil. Parte-se do otimismo da década de 1930, período em que o progresso industrial colore a nação, e caminha-se em direção à desilusão da década de 1990, momento em que o regresso monetário descaracteriza qualquer nacionalismo.

O livro se divide em sete pequenos capítulos, neles se analisam: (1) a indústria e o consumo; (2) o campo e a cidade; (3) a estrutura de classes e a mobilidade social; (4) os valores capitalistas e os princípios modernos; (5) a concentração de riqueza e a distribuição de renda; (6) o autoritarismo político-econômico e a massificação sócio-cultural; (7) a globalização e o neoliberalismo no Brasil.

Capitalismo

Nos três primeiros capítulos do livro abordam-se as principais transformações responsáveis pela modernização do país, trata-se de enfatizar a aura de otimismo que tomou conta do país apesar da manutenção de algumas distorções.

Retomando interpretações consagradas, os autores relembram como nas décadas entre 1930 e 1950 acelera-se o processo brasileiro de industrialização, modernizam-se os setores industriais mais tradicionais (alimentos, têxteis, calçados, móveis) e formam-se os setores industriais mais complexos (aço, petróleo, alumínio, químicos e farmacêuticos). Além disso, ensaiando interpretações inéditas, enfatiza-se como nesse período emergem mudanças significativas no processo de comercialização dos produtos, com o surgimento dos supermercados, shopping centers, cadeias de lojas de eletrodomésticos, revendedora de automóveis e lojas de departamento.

O objetivo é demonstrar como as relações entre a alteração na oferta de produtos e na circulação de mercadorias implicaram novos hábitos de vestuário, de alimentação, de higiene pessoal, de limpeza da casa etc. ensejando um novo padrão de consumo.

Para tanto, os exemplos mobilizados são muitos e diversos, trata-se de ilustrar a relação entre as mudanças na estrutura produtiva e as transformações na dinâmica do consumo. Como, por vezes, a profusão de casos listados pode ofuscar a interpretação sugerida pelos autores, aos deslumbrados com os exemplos recomenda-se cautela, aos ansiosos pela análise pede-se paciência. A leitura ponderada será recompensada ao final.

Durante esse período, notam ainda os autores, a industrialização acelerada não poderia deixar de significar também uma urbanização desenfreada. Assim é que a estrutura rígida do campo cede lugar à estrutura competitiva da cidade; a extrema pobreza e a miséria são sobrepujadas pela esperança e pelo desejo da migração; a família conjugal, dos compadres e vizinhos, é substituída pela família unicelular, de pais e filhos; e a educação pelo trabalho é trocada pela educação escolar.

Nesse processo o imigrante estrangeiro pôde usufruir de sua pequena vitória na luta por melhores posições sociais, dada sua melhor posição financeira de saída, muitos passaram de mascates a empresários, de trabalhadores especializados converteram-se em profissionais liberais. A mesma sorte não se deu com os migrantes rurais, ainda que sua situação tenha melhorado, a pobreza do campo foi substituída por não mais do que algumas tarefas de pouca qualificação e de baixa remuneração. Os negros urbanos, em sua grande maioria, permaneceram confinados ao trabalho subalterno, rotineiro e mecânico.

Tais mudanças e permanências, denunciam os autores, revelam como o capitalismo cria a ilusão de que as oportunidades econômicas são iguais para todos, quando na realidade a mercantilização da sociedade é que se apresenta como o único denominador comum.

No topo dessa sociedade abriga-se um pequeno conjunto de capitalistas, banqueiros e industriais, menos interessados em liderar o desenvolvimento econômico do país e mais interessados em tirar proveito da ação do Estado e da atuação da grande empresa multinacional. Na faixa intermediária, acotovelam-se uma classe média alta de profissionais em busca da qualificação fundada no ensino superior e uma classe média baixa de operários à procura de especialização. Na base dessa pirâmide subsistem incontáveis famílias de trabalhadores comuns, de migrantes recém-chegados e de citadinos empobrecidos.

O que os separa é uma hierarquia rígida de trabalhos e remunerações, o que os une são certas necessidades e desejos de consumo. Sendo assim, ressaltam os autores, é importante notar como entre nós os processos de diferenciação do trabalho e de generalização do consumo se deram no mesmo compasso. Desse modo, entre nós a corrida pela ascensão social apresentou-se menos como um fruto do progresso industrial e tecnológico e mais como uma corrida de miseráveis, pobres, remediados e ricos pela atualização dos padrões de consumo.

Modernidade

Desse descompasso entre a produção industrial e a circulação mercantil é que emerge nossa modernidade interrompida. Esse tema encontra-se muito bem desenvolvido no quarto capítulo, que é uma espécie de ponto de viragem no livro, fazendo a passagem entre a formação da nossa economia capitalista e a deformação da nossa sociedade de mercado.

Nos três últimos capítulos do livro, dessa vez, abordam-se as principais patologias e distorções responsáveis por interditar a modernização do país, trata-se de encarar o fantasma da desilusão que se generalizou pelo Brasil.

Isso porque entre as décadas de 1960 e 1980, os valores capitalistas foram reinventados entre nós sem grandes contestações. O privatismo patriarcalista da casa-grande se prolongou no familismo empresarial; a desvalorização do trabalho, herança da escravidão, se redefiniu na cisão entre funções intelectuais e tarefas manuais; a reverência pela hierarquia das ordens tradicionais se transfigurou na suposta concorrência que seleciona superiores e inferiores; e a idéia de país tomado como negócio, mas não como nação, ganhou fôlego redobrado. Isso tudo porque a aspiração à ascensão individual no Brasil não se lastreou no progresso técnico, mas na corrida pelo consumo.

Em contrapartida, os valores modernos foram obstruídos por grandes barreiras. A secularização, o racionalismo e a ilustração, capazes de inculcar as idéias de autonomia, igualdade e liberdade, trazem consigo conteúdos éticos e humanistas que não ecoam diante dos limites impostos pela lógica utilitarista e mercantil vigente no Brasil. Ou seja, sem os valores modernos capazes de refrear os valores capitalistas, imperou entre nós a exploração econômica e a dominação política que perpetuam as desigualdades sociais fundadas num capitalismo sem iluminismo. Em última instância, pode-se dizer que o industrialismo foi sobrepujado pelo consumismo como lógica de organização social.

Tal alteração ocorre, precisamente, por ocasião do Golpe de 1964, a política econômica capaz de combinar crescimento econômico e concentração de renda abria espaço para a acumulação de lucros e riqueza ao mesmo tempo em que patrocinava a diferenciação entre os salários e, por extensão, entre as capacidades de consumo.

O que se originava era uma sociedade deformada, fraturada em três dimensões: um mundo desfrutado por ricos e privilegiados, caracterizado pelo consumo de luxo, regado à ostentações e suntuosidades; um mundo permeado pelas várias classes médias e remediados, marcado por um tipo de consumo que é o simulacro e a imitação do primeiro; e, por fim, um mundo povoado por pobres e miseráveis, nesse ambiente os salários baixos permitem a reprodução daqueles padrões de consumo, mas impedem a difusão da capacidade de consumir.

Mas as agruras impostas ao país pela ditadura militar não se restringiram ao plano político e econômico, notam os autores, elas também se esprairam pela esfera social e cultural. Isso porque ao cerceamento do espaço público seguiu-se, imediatamente, o estabelecimento de uma opinião privada. Disfarçando-se em meio a entretenimentos ou revestindo-se de objetividades, as empresas televisivas e jornalísticas formavam uma pequena confraria que, com a anuência do governo militar, patrocinavam a instauração de uma indústria cultural americanizada no país.

A prioridade da TV e do entretenimento sobre a informação e a educação, e a preeminência de empresas privadas sobre a opinião pública, apontam os autores, promoveu, novamente, o triunfo de normas mercadológicas sobre princípios modernizantes. Desse modo, a sociedade brasileira passava diretamente da deseducação para a massificação, criavam-se consumidores sem que se houvesse formado cidadãos. Esse será o país lançado, nos anos 1990, sobre os estertores da globalização e do neoliberalismo.

Na melhor tradição do pensamento social brasileiro, o livro destaca como ao mesmo tempo em que criávamos condições para o nascimento e o desenvolvimento do capitalismo, impúnhamos obstáculos para o florescimento e a consolidação da modernidade no país. Tudo analisado à partir das justaposições entre a produção econômica e a reprodução social, entre a lógica da industrialização e os nexos do consumismo.

(*) Bacharel em Ciências Sociais (FFLCH/USP); mestrando em Desenvolvimento Econômico (IE/UNICAMP).
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Óbito - Antropologia: CLAUDE LEVI STRAUSS – Perfil

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ANC – Lusa

Lisboa, 03 Nov (Lusa) - O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que morreu sábado aos 100 anos, foi um dos grandes intelectuais do século XX, destacado antropólogo e fundador da corrente estruturalista das ciências sociais.

Nascido em Bruxelas em 1908, Lévi-Strauss lançou as bases da antropologia moderna e influenciou gerações de investigadores, deixando também uma marca decisiva na filosofia, sociologia, história e teoria da literatura.

Filho de judeus franceses, mudou-se para França quando estudava no liceu e depois, na Sorbonne, em Paris, estudou Direito e Filosofia, disciplina que leccionou no ensino secundário.

Em 1935, rumou ao Brasil, aceitou um lugar de professor de Sociologia na Universidade de São Paulo e aí iniciou a sua carreira de etnólogo, dedicando os fins-de-semana ao estudo dos milhares de índios que habitavam nos subúrbios da cidade e partindo, depois, para o Mato Grosso e Amazónia, para contactar com tribos.

Na sua primeira obra de grande projecção, “As Estruturas Elementares do Parentesco”, publicada em 1949, propôs um novo método de análise que foi adoptado por muitos antropólogos.

No livro, Lévi-Strauss sustenta que o “parentesco” está no centro da Antropologia, que estuda o homem na sua dimensão social, entendendo-se aqui parentesco como as regras de aliança, filiação, residência e perpetuação de populações.

A sua autobiografia intelectual, “Tristes Trópicos”, publicada em 1955 (editada em Portugal pelas Edições 70), é considerada a sua obra mais marcante e um dos grandes livros do século XX.

Valeu-lhe o Prémio Goncourt e foi lida por um público bastante mais vasto do que a comunidade científica.

Professor no Collège de France - um prestigiado estabelecimento de ensino e de investigação em Paris - entre 1959 e 1982, foi o primeiro antropólogo eleito para a Academia Francesa, em Maio de 1973, e o primeiro membro centenário da instituição, a partir de 28 de Novembro de 2008, data em que completou 100 anos.

Considerado também um crítico do etnocentrismo e, de alguma forma, um precursor intelectual do movimento ecologista, embora cedo se tenha tornado célebre, Lévi-Strauss nunca se preocupou com a posteridade e não escreveu memórias.
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Torres Novas promove Encontro de Lusofonia de 07 a 14 de Novembro

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Visão - Lusa – 03 Novembro 2009

Torres Novas, Santarém, 03 Nov (Lusa) -- Com forte presença de Cabo Verde, país com o qual a cidade de Torres Novas tem uma "relação fantástica", os II Encontros de Lusofonia voltam este ano à cidade, com um programa diversificado que abre sábado com batuque e Tcheka.

Torres Novas, Santarém, 03 Nov (Lusa) - Com forte presença de Cabo Verde, país com o qual a cidade de Torres Novas tem uma "relação fantástica", os II Encontros de Lusofonia voltam este ano à cidade, com um programa diversificado que abre sábado com batuque e Tcheka.

António Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, aponta três boas razões para a realização da iniciativa no seu município, a começar pela geminação "de uma riqueza invulgar" com o município cabo-verdiano da Ribeira Brava e pela ligação a Timor-Leste, acentuada com a sua participação no processo de criação do poder local naquele país.

A outra razão reside no facto de Torres Novas ser a única cidade portuguesa a ter uma réplica do padrão henriquino que o Estado Novo promoveu para as então províncias ultramarinas.
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Até 5 de Novembro – LIBIA E CIVILIZAÇÕES DO SAARA, EM EXPOSIÇÃO

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Foto de Alexandre Costa, em Olhares

Sandra Rocha enviou uma mensagem aos membros do grupo Fotografia / Photography.

Assunto: Exposição «Líbia e Civilizações do Saara» encerra dia 5

A exposição de fotografia «Líbia, as Civilizações que o Saara Guarda», de Alexandre Costa, vai terminar o período de apresentação ao público esta quinta-feira, no Casino Lisboa.

As 32 fotografias que «retratam um país rico em cultura, tradições e história» propõem «um olhar sobre o deserto, o maior museu arqueológico rupestre ao ar livre e uma cultura Greco-Bizantina e Romana», segundo o divulgado em comunicado.

O autor Alexandre Costa desenvolveu a sua paixão pela fotografia na década de oitenta, época em que se tornou fotógrafo voluntário dos Médicos do Mundo.

«Líbia, as Civilizações que o Saara Guarda» pode ser visitada diariamente, das 15:00 às 03:00 horas.

O acesso aos espaços do Casino Lisboa é reservado a maiores de 18 anos, por imperativo legal.

FONTE: http://www.facebook.com/l/25f11;diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=418655
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Mercado do sexo – CRISE TAMBÉM CHEGOU AO SALÃO ERÓTICO

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Diário de Notícias – 02 Novembro 2009

Para os 'stands' de venda, o negócio não compensou. Sábado foi o dia mais concorrido, mas o jogo Braga-Benfica roubou clientes

"Este ano foi mais fraco que o ano passado." Quem o afirma é Tiago Ferreira, vendedor da Contra Natura, presente no V Salão Erótico Internacional de Lisboa (SIEL). E a mesma opinião se ouve da parte dos visitantes repetentes. Só os espaços estreantes se mostram satisfeitos com a aposta.

Vânia Beliz, sexóloga responsável pelo Consultório Erótico - novidade no SIEL - revela que o "balança foi muito positivo". Para a sexóloga, o segundo dia do Salão, foi o mais concorrido. "O Sábado foi um dia digno de centro de saúde" explica Vânia Beliz que, nesse dia, ouviu as dúvidas de três homens, três mulheres e seis casais. Não cair na rotina é a preocupação mais recorrente dos casais .

No espaço da Academia NATHA, onde se explicava como se pode associar o Yoga e o Tantra ao erotismo, o balanço também é positivo. "Conseguimos desmistificar muitas ideias erradas" explica Sofia Silva, responsável pelo stand presente no SIEL. E lembra a palestra dada no sábado que teve "óptima aceitação do público".

Opinião diferente têm os do SIEL dedicados à venda. No stand Vesuvio, dedicado aos filmes para adultos, o responsável dispara: "Correu mal, não compensou nada". Guerreiro só registou um aumento no número de casais a comprar filmes, mas garante que a crise se fez notar.

Nas sex-shops, a opinião é semelhante. Bruno Barbosa, responsável pela loja Afrodite, explica que "o que se vende não compensa o que se paga pela manutenção do espaço". Para as lojas ouvidas pelo DN, a afirmação da marca é o que justifica a presença no SIEL, que teve no sábado o dia mais concorrido, apesar da quebra durante o Benfica-Braga.
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